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    Árvores resistem ao tempo e florescem em praça histórica de Guaçuí As champacas-amarelas foram plantadas a mais de 85 anos na Praça 25 de dezembro, no centro de Guaçuí
    (Foto: Divulgação)
    Autor: Rádio Conexão.ES
    05 de Janeiro de 2018 às 09h29
    (Atualizada) 05 de Janeiro de 2018 às 09h29

    Na correria do dia a dia, quase ninguém dá conta do que a natureza oferece em pleno centro das cidades. Este é o caso da beleza e perfume das flores de cinco árvores localizadas na Praça 25 de Dezembro no centro de Guaçuí, que faz alusão à emancipação político-administrativa do município – que aconteceu no dia 25 de dezembro de 1928. Trata-se de cinco champacas-amarelas que resistem ao tempo num dos mais tradicionais pontos da cidade.

    Segundo informações da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), estima-se que as árvores foram plantadas, no local, nos anos 30, levando em consideração três citações históricas. A primeira trata da inauguração da Praça, que aconteceu no dia 22 de maio de 1932, conforme capa do Jornal O Espírito Santo, que trouxe o título “A inauguração da Praça 25 de Dezembro”. O texto cita que “Os melhoramentos na Praça 25 de Dezembro foram ultimados ontem, para hoje, às 19 horas, serem inaugurados oficialmente. Trata-se de um lindo passeio, acimentado, com árvores no centro, bancos confortáveis, postes modernos e elegantíssimos”.

    Já em 12 de junho de 1932, também o jornal O Espírito Santo descreve as doações dos bancos da praça: “Melhoramentos locais - na linda Praça 25 de Dezembro, que a prefeitura local fez novos trabalhos em construindo um abrigo no centro da rua, colocaram confortáveis bancos”. Atualmente, a praça conta com sete bancos também doados por empresas do município.  

    E no dia 14 de agosto de 1932, o jornal “O Espírito Santo”, Edição de Nº 50, em sua primeira página, traz o balanço das obras com informação por meio de detalhado relatório: “Obras Públicas - Serviços realizados no semestre: Praça 25 de Dezembro - Construiu-se um passeio de concreto no centro da mesma, com 47 e ½ metros por 3 metros e 25 cts. de largura, com meio-fios, sendo colocado ao centro 3 postes de ferro de 3 globos cada um, instalação subterrânea, cujos postes e respectiva instalação ficam fazendo parte do patrimônio do Município”. Os três postes citados se encontram no local com as inscrições PMSC, ou seja, Prefeitura Municipal de Siqueira Campos, antigo nome da cidade que depois se tornaria Guaçuí.

    DivulgaçãoConforme destaca o secretário municipal de Meio Ambiente, Roberto Martins, a comendadora Madalena Emery de Carvalho, que tinha 7 anos quando a praça foi inaugurada, afirma que as árvores são as mesmas desde a época de sua infância. Na conversa registrada entre os dois, ela afirma se lembrar “perfeitamente dessas árvores desde menininha”. “São as mesmas até hoje e resistiram ao tempo, desde a inauguração da nossa praça, recebendo cuidados dos moradores e poder público”, relata a comendadora.

    E a equipe de Paisagismo e Jardinagem da Semmam também tem dedicado uma especial atenção a essas plantas de quase 90 anos. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Roberto Martins, “as árvores receberam uma cuidadosa poda de limpeza onde os galhos desgastados e doentes foram retirados”. “As cinco árvores foram adubadas e ainda algumas sementes estão sendo monitoradas para que novas mudas sejam produzidas no viveiro do município”, informou. Além dos cuidados com as árvores, a Semmam conseguiu a doação de tinta e os postes foram pintados, as lâmpadas trocadas e os globos substituídos, já que haviam sofrido com a ação de vândalos.

     

    Características

    Natural da Ásia, no Brasil, a magnólia-champaca-amarela é utilizada como uma planta ornamental, mas suas folhas, casca e o óleo de suas sementes têm alguns usos populares. O chá de suas folhas é indicado no combate às infecções da garganta. A casca, após a decocção (processo de extração dos princípios ativos pela ação de líquido em ebulição), possui propriedades estimulantes, tônicas e diuréticas. Já o óleo das sementes é empregado, em fricção, contra dores articulares e reumatismo. Essa espécie, aliás, sempre aparece como uma planta importante na medicina indígena. Estudo farmacológico com o extrato da casca de sua raiz indicou propriedade inseticida potente contra a larva do mosquito Aedes egyptii.

    No paisagismo, a espécie pode ser aproveitada isolada ou em grupos, adequando-se bem a estilos orientais e tropicais. Na Índia, ela é considerada sagrada, sendo plantada no entorno de templos, tanto budistas como hinduístas. De sua madeira, de textura fina, cor escura, moderada resistência e forte aroma, são fabricados brinquedos, caixas, objetos de arte, móveis e utensílios, além de ser aproveitada na construção civil. Das flores, é extraído um óleo essencial de rica fragrância, utilizado na indústria da perfumaria. Ela é uma das notas presentes no famoso perfume “Joy“, de Jean Patou.

    As sementes devem ser colhidas quando os frutos estão prestes a abrir, antes de caírem no chão. Elas precisam ser escarificadas em água para remoção de todo o arilo que contém inibidores da germinação.

     

    As árvores e também os postes são os mesmos da época da inauguração da Praça 25 de dezembro, no centro de Guaçuí.

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